Estar em Portugal no momento do afastamento
da Presidente da Republica Federativa do Brasil me faz ter uma análise, nem
melhor nem pior de qualquer um outro brasileiro, mas apenas diferente, posto
que tenho me mantido informado absolutamente através da imprensa internacional,
em especial da cobertura da SIC Notícias (Portugal), Rai e Corriere Della Sera (Itália)
e da BBC News (Londres).
Verdadeiramente como jurista e
brasileiro, tenho a pior impressão possível de todo o processo pelo qual se
estabeleceu a maior tragédia recente de nossa democracia, desde o Golpe que
inaugurou a ditadura de 1964, a qual porta consigo prejuízos, mesmo depois de pouco
mais de 28 anos de seu fim.
A Presidente da República na minha
opinião jurídica e não política, porque do PT não sou eleitor, embora não lhe
posso negar os benefícios produzidos e ainda não completamente absorvidos
socialmente, haja vista o fato de que investimento em educação e infra
estrutura só lhe possam ser absorvidos e sentidos com o tempo; mas como dizia não
me parece haver tipicidade, nem ainda culpabilidade capazes de motivar o crime
pela qual o Impeachment seria, de fato e de direito estabelecidos.
Certo que o Impeachment tem um cunho
político, mas sobretudo é o jurídico que deveria motivar a decisão dos senhores
deputados e agora dos senhores senadores, o que de longe se figura, seja pelos
discursos desconexos, carregados de
voluntas própria e sem qualquer nexo de constitucionalidade. Hoje rasga-se
a Carta Constitucional, de modo a declarar ao mundo que o Brasil não é um país
de confiabilidade jurídica, senão ainda um cenário de vontades e interesses
particulares, onde o “amigo do rei” possui sempre a interpretação e não
aplicação da lei.
O processo de construção de um esvaziamento
político, seja do partido dos trabalhadores, que hoje representa a “corrupção
do Brasil”, como se somente a ele se devesse todo ato de desvio de conduta
moral da coisa pública, como ainda das figuras do Lula e da própria Dilma, essa
ultima de modo claramente e imoralmente planejado no modelo mais romano
impossível (...até tu Brutus meu filho?...),
o golpe para assunção do poder e dos interesses dos grupos separados dos privilégios
do Estado.
De há muito se assiste a derrocada do
poder e o enfraquecimento da legitimidade eleitoral e partidário, que redunda
num presidencialismo de coalisão, que mais se assemelha a um Parlamentarismo de
forma oblíqua, o qual prefigura a quebra do paradigma democrático de uma
Presidente, a pouco mais de uma eleita diretamente com mais de 54 milhões de
votos e que fora destituída de sua função pelo voto de uma maioria simples de
uma casa legislativa (54 senadores), presidida pelo partido que a abandonou,
mesmo sabendo, a pouco mais de um ano, de todo o processo de corrupção pelo que
passava o partido que a reelegera.
A Presidente não é ré em processo que
seria a meu olhar jurídico capaz de motivar o afastamento, diferentemente de
seus “justos julgadores”, que em sua maioria são réus em processos que envolvem
qualquer desvio de verba ou função pública.
O Brasil então sela hoje para o mundo
a sua imaturidade institucional, jurídica, política, o que redunda a
desconfiança internacional na então oitava maior economia do mundo, que agora
desce a passos largos a mais profunda depressão dos últimos 20 anos.
Ao escrever esse post ponho-me a ser batido, contra argumentado, mas não pretendo
senão manifestar o meu grande pesar por havermos um documento simbólico, na
expressão cunhada pelo professor Marcelo Neves, que demonstram a gravidade de
um ato que nos pode custar aquilo que a impressa internacional declara ser um “golpe
proveniente de interesses particulares dos partidos excluídos do poder”.
O que se espera? Coisas ainda piores
certamente, posto que a essa altura a anarquia é juridicamente, e não apenas de
fato o nosso guia.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirAs mais inteligentes palavras proferidas num universo que posso chamar de " Maquiavel"...
ResponderExcluirobrigado
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