No dia dos professores há mesmo muito
pouco a comemorar. Não obstante as felicitações de alunos e amigos, os quais
agradeço, mas acredito que ainda estamos muito longe de comemorações e festas.
Num país em que se obstante o slogan
de “Pátria Educadora”, o que se vê é a mais simples “deseducação” (perdoem-me o
neologismo).
Mestres que gastam anos e muito
dinheiro para formarem-se a aperfeiçoarem-se com cursos, mestrados, doutorados
e mais cursos (isso porque o ensino público é piada nesse país), para ganharem
menos de R$40,00 reais por hora aula e, isso na melhor das hipóteses, porque a
maioria ganha menos da metade disso, o que os obriga a trabalharem manhãs,
tardes e noite, em dois ou três empregos, e mais aulas extras de finais de
semana e madrugadas e finais de semana perdidos corrigindo provas e elaborando atividades
exigidas pelos “NDEs” das vida acadêmica e escolar, para depois serem
massacrados pelos “reconhecidos alunos” que não estudam mas querem “passar de
ano”, nem que seja no grito.
Um Ministério da Educação que exige
formação contextualizada de alunos, que sequer sabem ler e escrever quando
deixam o ensino médio, mas conseguem “passar” no vestibular para uma faculdade
privada qualquer, no qual ele vai ser custeado por algum “PROUNI”, “FIES” ...
que serve para mascarar a falta de investimento em ensino de qualidade público
e, que acaba por alimentar um novo nicho do capital líquido moderno “a educação
para consumo”, que formam os perigosos “alunos clientes”, que no contexto da Sociedade
do Espetáculo querem ser entretidos e satisfeitos em todas as suas vontades de
consumo, mediante aquilo que pagam e acham justo receber.
Infelizmente há muito pouco por
comemorar no dia do professor, quando este profissional se torna de fato o
grande “bode expiatório”, num sistema que dele só se lembra no dia 15 de
Outubro, se porventura não cair em dias não úteis. Quando os alunos conseguem
os melhores postos de classificação nos concursos e exames da vida, as “escolas
e faculdades constam nos rankings dos melhores”, quando o inverso é verdade
eles os professores são os culpados.
Não penso que devamos festejar, nem
ainda o que aparenta ter sido “vitória”, porque ainda estamos muito, mas muito
longe de comemorações.
Quem dera não precisar escrever essas
linhas, que nem de longe são desabafo ou ainda lamentações de um professor que
sou, mas considero essas minhas palavras rasas como maneira de expressar a
minha indignação por uma carreira que é todos os dias manchada e destruída, no
país da “Pátria Educadora”.