sábado, 11 de julho de 2015

Quando o essencial deixa de ser o foco

Incrível como o discurso do ódio e da intolerância, ou do escândalo pelo escândalo domina o mundo hoje. Esse humanismo desumano que estamos vivendo é marcado pela indiferença daquilo que realmente importa. 

Recentemente o Papa Francisco, durante visita oficial a Bolívia fez um discurso em que não apenas pediu perdão por crimes cometidos pela igreja, durante o processo de colonização da América, foi enfático na redução da ótica exploradora, que segrega e marginaliza e fortemente apoio aos verdadeiros processos de mudança, de mentalidade, de sairmos de uma ótica que globaliza para segregar, marginalizar, explorar, em que se mostra que esse modelo de "desenvolvimento" capitalista pregado é falho, mesquinho e desagregador, pois financia o ódio, a exclusão e o crescimento de desigualdades sociais no mundo inteiro.

Todavia o que fora mais noticiado pela mídia mundial, fora a “cruz em forma de martelo”, símbolo do Comunismo, como sendo ofensivo, blasfemo, provocativo, sempre em sentido pejorativo, procurando acentuar algum tipo de ódio oculto, ou teoria de conspiração qualquer.

Interessante como essa cultura midiática, de uma sociedade marcada pelo espetáculo, altamente constrangedora e opressiva se comporta na medida de promover a dissociação daquilo que realmente importa. Negar a importância histórica, cultural, política e religiosa desse discurso, para reduzi-lo a um símbolo de um suposto “revanchismo” qualquer, não é apenas odiável, mas, senão, ainda e, sobretudo, maquiavélico, em seu sentido mais mesquinho e vil.

Incrível mesmo como a sociedade de hoje se contenta com o escândalo, ama o dissabor das intrigas e deseja ardorosamente algo para odiar, achincalhar e desprezar de algum modo. Mais incrível ainda como o mundo de hoje está perplexamente engodado com o “prazer” inenarrável de um consumismo, cada vez mais fruto de uma cultura hedonista, que prega o prazer e a vontade de TER, em detrimento de SER.

Impossível acreditar num mundo ideologicamente perdido, sem rumo certo, senão e apenas aquele de crer no monismo midiático que clama a uma sociedade do consumo e do supérfluo, encontrarmos logo o próximo a ser acusado, para logo esquecermos a realidade que nos circunda, onde o “mundo do virtualmente perfeito”, seja compartilhado, curtido e comentado como sendo a grande falácia de tempos de uma “aridez de espíritos conscientes”, em que “novos” ídolos sejam cortejados, amados e odiados com a mesma rapidez de um novo “trending top” em qualquer rede artificial de vida.


Geraldo Alencar, julho de 2015

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